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Sábado, 21 de Abril de 2007

VIOLÊNCIA DOS FILHOS SOBRE OS PAIS

 

A violência exercida por filhos contra pais está a tornar-se um fenómeno alarmante em Portugal. Cada vez mais, idosos procuram o seu médico de família para tratar hematomas e desabafar sobre o que os filhos lhes fazem.

Em 2006 foram conhecidos 349 casos e no ano anterior eram 252. o número de casos como se pode verificar veio a aumentar nos últimos anos, as queixas revelam uma concentração das agressões em idades compreendidas entre os 18 e os 45 anos, mas existe um universo considerável de adolescentes que agridem os progenitores. Pode parecer exagerado, mas as agressões são desde empurrões, estalos, murros e pontapés, que por vezes levam a vitima a ter que recorrer a cuidados hospitalares. A violência física quando é praticada por indivíduos do sexo feminino, independentemente da idade, tende a recorrer a objectos físicos; enquanto os indivíduos do sexo masculino quando praticam agressões físicas, recorrem ás mãos e aos pés.

As vítimas por seu lado hesitam, devido há vergonha que sentem por denunciar os seus próprios filhos e também sabê-los capazes de o voltar a fazer. Mas felizmente a informação leva-os a ter mais noção dos seus direitos e que podem pedir apoio há APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vitima).

 Família

            Pintura de Pablo Picasso

Em 2006, num total de 5582 casos de apoio a violência doméstica, 6.3% são já de casos de agressão de filhos a pais. A maior parte das agressões a pais deve-se a filhos com problemas de adição a droga ou a álcool. Na maioria dos casos são filhos jovens que agem com violência para amedrontar e chantagear as mães que os sustentam e por isso passam a ser vitimas de roubos dentro da sua própria casa, ou então, filhos que se tornam “jovens tiranos” que tratam os pais idosos de forma indigna e negligenciam as suas responsabilidades.

O mais grave é quando a agressão chega à violação. Quando os crimes sexuais são perpetrados por filhos ou netos.

Não posso deixar de frisar que de acordo com este estudo, estes chocantes casos acontecem em famílias desestruturadas e situações ligadas à toxicodependência.

É importantíssimo e extremamente necessário que se tome em atenção este novo fenómeno que nos últimos anos tem vindo a alastrar por todo o nosso país.

 

 

 

publicado por Dreamfinder às 12:09

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Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

VELHICE

A velhice é um decurso pessoal, natural, incontestável e inevitável, para qualquer ser humano, na evolução da vida. Nesta etapa da vida surgem transformações biológicas, fisiológicas, psicossociais, económicas e politicas que compõem o quotidiano dos indivíduos.

Tem-se por hábito dizer que a idade que determina a velhice do ser humano são os 65 anos, que se considera quando se encerra a fase economicamente activa do indivíduo e começa a reforma. Mas um estudo visando um levantamento estatístico mundial feito pela OMS (Organização Mundial da Saúde), devido ao aumento progressivo da longevidade e da expectativa de vida, alteou a idade para os 75 anos.

Em muitas culturas e civilizações, o idoso não é mais que um velho, ultrapassado, um fracasso do potencial do ser humano; mas noutras, como as orientais, o idoso é visto com respeito, admiração e até veneração, representando para os mais novos um manancial de experiência, do saber acumulado, da prudência e da reflexão.

Mas o ser humano tem duas formas de receber as mudanças que surgem com a idade: positivamente, de uma maneira tranquila e consciente ou de uma maneira mais negativa, com muita intensidade, nada convicta e nada pacífica, mas tudo depende da relação de cada indivíduo com a velhice.

Existem, Mudanças Físicas, graduais e progressivas: o aparecimento de rugas; diminuição da força muscular; aparição de cabelos brancos; redução da acuidade sensorial, da capacidade auditiva e visual); distúrbios do sistema respiratório, circulatório; alteração da memória,… Mudanças Psicossociais, alterações  afectivas e cognitivas: percepção da aproximação do fim da vida; sensação de inutilidade; solidão; segregação familiar; afastamento de outras faixas etárias; decadência do prestigio social e de valores;  Mudanças Funcionais: mais cedo ou mais tarde, surge a necessidade quotidiana de ajuda para desempenhar as actividades básicas;    Mudanças Socio-económicas: suspensão da sua actividade profissional, reforma, por vezes dificuldades monetárias.

O crescimento da população de idosos nota-se claramente e inequivocamente na Europa e no resto do mundo desenvolvido, porque felizmente a velhice não é a mesma coisa que doença. Nos dias de hoje, quem tem 50 anos espera chegar aos 100 anos e com uma saúde muito satisfatória.

É interessante observar uma tendência de melhora na saúde de pessoas com mais de 70 anos, se a compararmos com a de pessoas entre os 50 e os 70 anos. Isto reflecte-se porque cada vez mais, os idosos têm consciência que uma alimentação correcta, a actividade física e um bom estado psicológico formam a base de uma melhoria de vida e da saúde. O sal e a gordura animal são os grandes e verdadeiros perigos da alimentação e devem ser evitados; a actividade física feita com regularidade fornece inúmeros benefícios com relevo nas doenças cardiovasculares; a depressão, o stress, a ansiedade são muito prejudiciais para a nossa saúde, tendo repercussões na nossa imunidade e devem ser contendidas; assim como a utilização constante da mente é fundamental para uma boa saúde.

Um indivíduo só se vai preocupar com o envelhecer quando sente que esta nova fase da vida está se aproximando, produzindo sensações de desconforto, ansiedade, temores e receios. Muito frequentemente essa ansiedade gera a falta de motivação levando-o a uma depressão, reflectindo-se organicamente e acelerando o envelhecimento ou provocando distúrbios e dificuldades de adaptação a um novo contexto social.

Estudos recentes comprovaram que o avançar da idade não determina a deterioração do intelecto, pois ele está associado à educação, ao padrão de vida, à vitalidade física, mental e emocional.

 

No dia-a-dia, vê-se demasiadas formas de discriminação, mas o envelhecimento é uma das mais notadas. Mas cada vez mais, luta-se pelos direitos dos idosos, espero eu, que providenciando o cumprimento das leis existentes, e tomando medidas mais eficazes que impeçam e interditem atitudes de maus tratos, faltas de respeito e falta de sociabilidade do qual o idoso é um alvo delicado e fácil. Também é preciso perder o preconceito sobre a idade cronológica das pessoas, tudo depende da postura e do interesse de cada um, em viver a sua idade como acha que se sente mais feliz e realizada. A reforma tem suas implicações negativas, por isso é preciso rever essa atitude de reformar seres inteligentes e capazes de dar muito de si pelo mercado de trabalho, desde que se enquadrem no sítio mais correcto, aproveitando a sua experiência sendo esta bem colocada e aproveitada.

Enfim, o envelhecimento não pode ser visto pela sociedade, médicos, família e patrões sob os olhos da discriminação. Não só as pessoas envelhecem, também as gerações, por esse motivo é preciso agir de forma concreta e segura contribuindo no resguardar de uma etapa da vida humana com saúde, qualidade, dignidade e respeito.

 

publicado por Dreamfinder às 09:41

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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

A ÚLTIMA DANÇA

Como futura médica, retirei implicações das vivências que tive oportunidade de realizar nas 2 visitas com o meu grupo, no âmbito da disciplina de Introdução à Medicina que foram enriquecedoras no sentido de melhor compreender a importância da harmonia entre a formação/competência e a humanidade, atenção e empatia na carreira médica.

Visitei o Centro Polivalente de S. Cristóvão e S. Lourenço e a Associação Acreditar. Apesar dos contornos bastante diferentes das 2 visitas, elas despertaram-me o espírito para dois temas principais: o magnifico trabalho de solidariedade e as pessoas carenciadas contempladas pelo mesmo.

No C.P.S.C.S.L. fui surpreendida quando soube que não ia passar o dia no centro de dia (que alberga idosos a tempo permanente), mas que, em vez disso, visitaria as pessoas nas suas próprias casas, acompanhando as responsáveis pelo apoio domiciliário.

Inicialmente desconfortável com o sentimento de invasão à intimidade daquelas senhoras, deixei-me fascinar pelo excelente trabalho desenvolvido pelas auxiliares: Lúcia e Rosário. E senti que, para aquelas senhoras idosas, elas faziam parte da família, e estavam mais presentes do que os familiares, que as esqueceram… e que elas tornam presentes nas suas recordações. Mas se me comoveu a atenção, disponibilidade, simpatia, carinho e felicidade que aquelas mulheres levam todos os dias a casa daquelas idosas, mais me comoveu o traço que encontrei em comum nas duas senhoras que visitei:

A Dona Olga era a mais extrovertida, ainda guardava um olhar maroto quando dizia que o seu vizinho policia era muito jeitoso.

A Dona Amélia era mais reservada, tinha muitas dores devido às artroses.

Mas em comum, nas simpáticas senhoras, existia aquilo que mais as magoa, a diferença entre o que foram e o que são, as penosas recordações de um tempo (em que foram felizes) e que não volta mais, a consciência da sua própria situação e o sentimento de inutilidade e abandono.

É com o olhar brilhante e preso no passado que a Dona Olga recorda como era bonita, afirmando que sempre “fora vaidosa, não peneirenta”. Lembra-se que todos lhe gabavam as bonitas pernas, “e olhem agora, tanta inveja tiveram, que agora estão assim”, diz apontando para a operação e a prótese que lhe puseram na perna, e diz que não se importa de morrer.

Da Dona Amélia, conta a Lúcia, que ela chegou a trabalhar num famosíssimo salão de beleza, pelo que conviveu com pessoas como a pintora Paula Rêgo ou Marcelo Rebelo de Sousa. Hoje está ali, só e com uma tristeza profunda. É para mim doloroso lembrar-me do que a senhora repetia constantemente, “Desculpem, eu estar assim, sem interesse para vocês. Um farrapo de gente, nada mais.”. A Dona Amélia entregava-se, desistia claramente de viver, não suportava esse contraste doloroso entre o que é e o que fora.

Como futura médica, esta experiência fez-me compreender que estes idosos têm necessidades especiais e têm de ser tratados pelos médicos não com desprezo ou indiferença mas com todo o respeito, atenção e dignidade que merecem. Além de tratar devidamente os problemas físicos, o médico tem de ter atenção às carências afectivas. Uma simples palavra de carinho, um gesto de compreensão, um olhar de apoio… Um sinal que lhes mostre que alguém se preocupa com eles, que lhes transmita confiança.

A esperança que a “D. Olga” precisa, a esperança que ela perdeu, “Será que alguma vez eu voltarei a dançar? Eu gostava tanto. Mas sei que não, nunca voltarei a dançar.”...

“Se vale a pena viver a vida esplêndida - esta fantasmagoria de cores, de grotesco, esta mescla de estrelas e de sonho? ... Só a luz! Só a luz vale a vida! A luz interior ou a luz exterior. Doente ou com saúde, triste ou alegre, procuro a luz com avidez. A luz é para mim a felicidade. Vivo de luz. Impregno-me, olho-a com êxtase. Valho o que ela vale. Sinto-me caído quando o dia amanhece baço e turvo. Sonho com ela e de manhã é a luz o meu primeiro pensamento. Qualquer fio me prende, qualquer reflexo me encanta. E agora mais doente, mais perto do túmulo,

busco-a com ânsia.”

Raul Brandão

publicado por Dreamfinder às 22:24

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